Intervenção Militar do Exército Zimbabueano removeu ontem o Presidente Mugabe do poder

Depois de as forças militares terem ocupado a televisão pública durante a madrugada de quarta-feira, o major-general zimbabuano Sibusiso Moyo leu um comunicado em directo em que quis deixar claro que não se tratava “de um golpe de Estado militar” e que o Presidente Robert Mugabe e a sua família se encontravam a salvo, depois de ter sido detido numa “transição [de poder] sem sangue”. O objectivo, disse Moyo, é “atingir criminosos à volta do Presidente, que estão a cometer crimes que causam sofrimento social e económico” no país, de forma a levá-los “à justiça” — no entanto, não indicou a quem se referia.

“Na noite passada, a Primeira Família foi detida e estão a salvo, isto era necessário tanto pela Constituição como pela sanidade da nação”, lê-se no Twitter do partido vigente, o Zanu-PF. “Hoje começa uma nova era e o camarada Mnangagwa [vice-presidente demitido por Mugabe na semana passada] ajudar-nos-á a alcançar um Zimbabwe melhor”. Ainda que o golpe de Estado seja negado pelas forças militares e pelo Zanu-PF, o correspondente da BBC Shimgai Nyoka  diz que a situação no país reúne “todos os elementos de um golpe”.

 

Ainda de acordo com a conta do Twitter do partido Zanu-PF, Emmerson Mnangagwa assumiu o cargo de Presidente interino.

 

Segundo a Reuters, que cita uma fonte governamental do país, o ministro das Finanças Ignatius Chombo também está entre os detidos. Não é claro quem está a liderar a acção militar. “Assim que cumpramos a nossa missão, esperamos que a situação retorne à normalidade”, disse ainda Moyo durante a ocupação à transmissora pública nacional ZBC.

Nesta quarta-feira, o movimento da oposição MDC (Movimento para a Mudança Democrática) pediu um regresso pacífico à democracia constitucional. Perante a tensão vivida no país, o secretário-geral do partido da oposição, Douglas Mwonzora, disse que estão “seguros de que o exército está em processo de tomar o comando”.

Numa entrevista telefónica a partir do Zimbabué com o canal sul-africano ANN7, Mwonzora reiterou: “Esta é a definição padrão de um golpe de Estado. Se isto não é um golpe, o que será?”. Mwonzora acrescentou que o partido governante, a União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF) “estão em fase de negação, mas que já não têm o controlo”.Este movimento da oposição é o principal rival do partido no poder há duas décadas, o Zanu-PF do Presidente Mugabe, de 93 anos. Citados pela Reuters, afirmaram ainda que esperam que a intervenção militar conduza a uma nação “estável, democrática e progressiva”.

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